Uma grande parte dos Ministros das Finanças do mundo desenvolvido vem igualmente do sector bancário. No caso dos Estados Unido da América, muitos deles, ou dos seus assessores passaram pelo Wall Street, com domínio de Goldman Sachs. Ken Wilson, Hank Paulson, Joshua Bolten, John Thornton, Duncan Niedeauer, Jon Corzine, Robert Rubin, etc. (só para indicar alguns nomes recentes), todos passaram pelo Goldman Sachs e tiveram ou ainda tem posições de relevo no Governo. Alias, Goldman Sachs tem a sua presença e influencia identificada em pelo menos 30 paises, e a parceira J P Morgan Chase exerce a sua influencia em cerca de 45 países.  Stephen Foley, num artigo publicado no “Independet” em 2018 diz “com Goldman Sachs no coração do Wall Street, e o Wall Street no coração da economia, poucos esperam o declínio do seu poder”.

O poder concentrado nos bancos e outras instituições financeiras, quando associado a ausência de seu controle pela sociedade, pode se transformar num grande perigo na economia. Os bancos e outras instituições financeiras podem ser a causa principal das crises econômicas e financeiras, ou no mínimo os propagadores dessas crises. Em quase todas as crises financeiras e econômicas em que o mundo já passou, os bancos estiveram sempre no centro do turbilhão, ou porque especularam demasiado com os preços dos imobiliários, ou porque inflaccionaram bolhas financiares, ou outras actividades especulativas. As especulações de risco, expansão de empréstimos, aumento de preços de activos, tudo isto sem base econômica, está na raiz de muitas crises financeiras de que o mundo ou certos países já passaram. Alin Marius ANDRIE, citando Dăianu and Lungu, diz que os modelos que levaram a crises estão “todos relacionados com incongruências dentro do sistema financeiro e estão relacionados com dinâmicas estruturais”, nomeadamente “incongruências de maturidades, que ocorrem quando as diferenças entre dívidas de curto prazo e activos líquidos levam a inabilidade da instituição financeira pagar as suas dívidas, e há recusa dos credores de prorrogar os contractos de credito; quando há mudanças rápidas de cambio; quando um alto nível de endividamento expõem a instituição financeira a certos choques provocados por reações adversas do mercado; e quando instituição financeira é incapaz de cobrir as suas dívidas com seu património”.

Talvez o aspecto mais sinistro dos bancos e outras instituições financeiras esteja na sua habilidade de corromper governos, funcionários e outros. Uma análise da Global Fraud Study de 2014 diz que o sector bancário e financeiro entre 2012 e 2013 registou 244 casos de fraude dos quais 91 eram casos de corrupção. Os casos de corrupção mais frequentes no sistema bancário e financeiro estão relacionados com uso criminoso de hipotecas, uso de informação privilegiada, suborno e propinas. Em 2018 o jornal “The Guardian” publicou um artigo que mostrava que uma investigação sobre fraudes, desvendou que o preço de corrupção praticada pelos bancos atingira cerca de 500 biliões de dólares em hipotecas associadas a falsos empréstimos. O escândalo de corrupção na FIFA envolvia bancos. Cinco bancos baseados no Reino Unido foram há tempos identificados como envolvidos em esquemas de corrupção com altos funcionários do governo da Nigéria. Michael Snyder escreve no “Business Insider” que “A corrupção no Wall Street se tornou tão profunda e tão vasta que é difícil mesmo encontrar palavras para a descrever”. Com efeito, muitos outros investigadores da matéria reconhecem que os bancos do Wall Street manipulam o preço do ouro e muitas vezes quem compra ouro, compra de facto papel assinado e paga para os bancos lhe guardarem o ouro no cofre deles, quando o ouro de facto não está lá. Ryan Cooper numa investigação que conduziu sobre os bancos Norte Americanos diz que “desde o encerramento da crise que abalou o país depois da queda de 2008, os grandes bancos americanos têm estado envolvidos em grandes abusos, fraude e crime”.

Mais grave ainda, é que os bancos envolvidos em corrupção e outros crimes similares nunca são de facto incriminados e punidos devidamente. Os bancos envolvidos na crise de 2008 acordaram em desembolsar 25 biliões de dólares em multas e alívio de hipotecas para evitarem criminalização dos seus actos que haviam afectado milhões de cidadãos Americanos e do mundo num total estimado de perda de cerca de 22 triliões de dólares, excluindo perdas de propriedade, desemprego criado, etc. Ou seja, os bancos responsáveis pela crise provocam uma perda superior a 22 triliões de dólares e de multa não pagam nem 1% desse valor e nenhum banco foi parar as barras do tribunal.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *