O Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, voltaram a encontrar-se em Maputo, e igualmente na Presidência da República, no que marcou o segundo encontro entre ambos, em menos de uma semana.

O segundo encontro nem sequer mereceu a mobilização dos Media, pelo menos para o registo da habitual foto de ocasião, já que vai ganhando forma a prática de comunicar com base em comunicado a posterior, que nunca a mata a sede só saciável com declaração ao vivo, em interacção directa com os jornalistas, para aprofundar as questões. Aliás, diferentemente do primeiro, só se ficou a saber de que existiu um segundo encontro quando Nyusi entendeu partilhar a informação com a Comunicação Social, sem entrar em detalhes do que lá s tratou, à margem de um outro acontecimento público.

Acreditando na máxima de que “só falando é que a gente se entende”, até podemos aplaudir este mais um encontro, no âmbito da busca de paz efectiva e definitiva. Estaríamos no entanto a cometer um pecado e uma imprudência imperdoáveis se ficássemos pelos aplausos, sem abrir espaço para alguma apreensão. O “timing” com que os dois encontros ocorreram é bastante suspeito!

É que onde os processos fluem normalmente, os líderes não têm necessariamente de se encontrar. Quando eles se encontram com uma regularidade invulgar com esta de se apertarem as mãos duas vezes em menos de uma semana, é porque ao nível das equipas pode haver problemas. As lideranças encontram-se para chancelar o trabalho das equipas técnicas, que se reúnem quase de forma permanente, em busca de matérias a levar aos seus chefes.
Um segundo encontro entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o Presidente da Renamo, Ossufo Momade, em menos de uma semana, pode dar uma indicação clara de que as coisas estão a correr muito bem, como também pode estar a emitir sinais de eventuais problemas. Que desenvolvimentos teriam tido lugar, em menos de uma semana, que justifique um segundo encontro?

Conforta-nos, no entanto, o simples facto de os dois líderes estarem a falar, o que significa que as linhas de comunicação ainda estão abertas entre ambos, e que sejam quais forem as dificuldades pelo caminho, vão encontrando uma forma de abordar essas dificuldades e tentar ultrapassa-las.

Pelo sim pelo não, o processo é irreversível e é de congratular constatar que os dois líderes assumem que os assuntos devem ser resolvidos em pleno, ou pelo menos grande parte deles, antes das Eleições Legislativas, Presidenciais e das Assembleias Provinciais de 15 de Outubro.

Em momento algum foi agradável ver aquelas eleições realizadas num contexto em que um dos partidos políticos concorrentes estava armado, embora algumas correntes não encontrem problema nisso. Problemas há, sim senhor, porque esses homens estão concentrados numa determinada zona, onde em consequência as eleições não podem ser livres, justas nem transparentes. A existência de homens armados representa sempre e inevitavelmente, um elemento de coacção.

Auguramos Eleições Gerais de 15 de Outubro na ausência total de qualquer partido político (concorrente) armado, para os eleitores exercerem o seu direito constitucional de eleger sem qualquer receio de algumas consequências em função da escolha que fizerem. Nesta perspectiva é muito positivo que os dois líderes estejam em contacto permanente para revirar todo o processo, com o fim único de se acabar com partidos políticos armados em Moçambique.

As regras universais da história da humanidade e o significado político habituaram-nos à regra de que quando encontros de género ocorrem, é porque há alg urgente que determina a intervenção do topo da liderança dos processos. Mas como as partes não comunicam não temos muitas alternativas.

Não havendo algo urgente, só podemos entender que as lideranças, quer do Estado quer da Renamo, estão a confirmar a liderança nos processos de paz, o que é positivo para eles se afirmarem e aparecerem na fotografia e aumentar a legitimidade, quer do Presidente da República quer do líder da Renamo. Igualmente para dar um sinal claro às equipas técnicas sobre a necessidade de obedecer os comandos e acelerar o passo rumo à paz efectiva e definitiva em Moçambique.

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